Casamento - criação, queda e redenção
ALERTA: Para a boa compreensão, leia antentamente Gênesis de 1 a 4.
É bem verdade que o casamento é o assunto mais tratado nos gabinetes pastorais e escritórios de conselheiros bíblicos. Gostaria de poder dizer que casamento é a união de duas pessoas que se amam, se aceitam e escolhem viver juntas para sempre em total harmonia, mas essa espectativa irreal é o início da ruína da instituição mais antiga de Deus para o ser humano como ser social.
Muito embora seja verdade que o casamento proporciona imensas alegrias na vida de qualquer pessoa (Pv 18:22; Gn 2:18), é também verdade que o casamento tem um objetivo pouco explorado, mas de total utilidade para um casal que enfrenta dificuldades, ou que está iniciando a vida a dois. O casamento é um serviço. Sim! O casamento é um serviço a Deus e ele possui muitas funções e quase nenhuma delas tem o objetivo de fazer-nos felizes para sempre como nos contos de fadas.
No início de tudo, Deus fez mandamentos imutáveis que persistem apesar da queda. Um está implícito no ato da criação de Eva a partir do corpo de Adão, uma união de três pessoas: Um homem, uma mulher e Deus. Este mandamento é o próprio casamento, Deus delegou funções a cada uma das partes humanas e viu que era bom.
O segundo mandamento era "sejam fecundos". Os filhos (sejam adotivos ou biológicos) sempre foram parte essencial desse arranjo maravilhoso baseado na própria trindade, onde todos se sujeitam a todos de formas diferentes, são todos importantes igualmente, mas cada um tem seu papel distinto, numa engrenagem magnífica.
Com a queda, o casamento foi duramente afetado, com seu desequlíbrio, o lar foi afetado, a sociedade foi afetada e desde então, para crentes e não crentes o casamento tem sido um mar de amores e pesares.
Nesta primera parte veremos apenas o primeiro princípio que já nos traz uma série de respostas. Por que Deus quis que Adão tivesse uma esposa? Bom, a resposta Deus mesmo dá. Não era bom que o homem estivesse só (Gn 2:18), a solidão não existia no Édem, mesmo Deus era em si mesmo o Pai, o Filho e o Espírito Santo (façamos - olha o plural - o homem a nossa - olha o plural de novo - imagem e semelhança. Gn 1:26). Deus quis que o homem experimentasse a união perfeita que havia nele e para que essa união fosse corretamente experienciada, Ele não tirou Eva do barro, mas a fez de Adão para que fossem um como é o Pai com Cristo e o Espírito. Deus mesmo fez com que Adão observasse nos animais a necessidade de uma companheira.
Como a queda afetou o casamento? Deu ao homem e à mulher uma visão corrompida de quem eram e para quê foram feitos. O domínio nunca foi um projeto de Deus para o casamento, porque o Pai não domina o Filho e nem o Filho ao espírito apesar de estarem sujeitos ao Pai, mas quando homem e mulher caíram, quiseram ser como Deus e governar um sobre o outro e esse desejo é o algoz (s.m. carrasco; executor da pena de morte) do casamento desde então porque o homem jamais conseguirá exercer o domínio santo como Deus, o domínio humano é egoísta.
O sentimento que nos distancia do ideal faz parte do desejo mais profundo inerente do pecado de Adão e Eva. O homem tenta governar sobre a mulher e ela resiste ao seu governo, porque ambos quiseram ser como Deus, ambos desejam governar um sobre o outro e não um para o outro.
É nesse mometo que Deus toma a primeira atitude de redenção, faz o primeiro sacrifício de um animal, dá a pele para vestirem e esconderem seus corpos nus, eis a primera tipologia do sacrifício de Jesus.
Isso tudo nos ensina que o casamento é entre dois pecadores desde o dia que Adão e Eva comeram do fruto do conhecimento. Esta informação pode te fazer olhar com mais clareza e menos romantismo fantasioso para o casamento. Os romances e ficções são utópicos e desde a infância nos fazem crer que se cumprirmos uma lista de critérios para escolher um companheiro e uma lista de comportamentos e manobras para vivermos com ele, seremos felizes e realizadas. Mas a verdade é que o casamento tem apenas uma função: glorificar a Deus. Resistir ao pecado para com Deus e para com o cônjuge não é uma tarefa fácil e por isso os frutos de um casamento sólido nas Escrituras são tão maravilhosos, porque viver a dois é um desafio de persistência para homem e mulher. Não é mais fácil para um do que para o outro, para os dois, em sua natureza, existe uma memória de rebelião contra o governo do outro, um reinvidica o seu poder original (Adão) e o outro seu poder adquirido (Eva), os dois em pecado de insubordinação contra Deus (Gn 3). A boa notícia é que na nova natureza do homem e da mulher crentes em Jesus (2 Co 5:17) também existe, através do Espírito Santo, a memória da submissão ao Deus da criação, capaz de catequisar (instruir ou doutrinar em materia social ou religiosa) nossos corações em amor e justiça para vivermos com nossos cônjuges (Ef 5:21-26). Aqueles que amam a Palavra de Deus, encontram no arranjo original do casamento a satisfação, apesar de estarem longe do Éden.
Lembrando que quando falamos de amor, não podemos nos referir aos romances de Hollywood, cheios de desejos sexuais insaciáveis, bajulação e alegoria, numa mentira escandalosa que caímos sem perceber. Estamos falando do amor de Deus que doou seu Filho, do amor que Paulo traduz em um lindo texto à igreja de Corinto em sua primeira carta no capítulo 13. Um amor que se doa, que espera, suporta, não é soberbo, vaiodoso, etc.
Para viver um casamento em um mundo caído é necessário olhar para a Trindade, uma união perfeita. Um lidera, um se sujeita, um dá a luz. Um cria, um advoga, um consola. Um perdoa, um redime, um ensina. Um Pai, um Filho, um Epírito Santo, todos um único Deus. União do qual um não é maior por ser o líder e o outro não é menor por se submeter, tampouco o outro é nulo por fazer a manutenção. Todos são igualmente importantes, igualmente poderosos, desempenhando papéis diferentes que culminam para a satisfação das três pessoas da Trindade em um só Deus.
Para viver um casamento cristão é necessário jogar no lixo tudo o que se aprendou sobre amor até hoje e reaprender com Deus, em tarefas que no início da aprendizagem parecem impossíveis, mas que são possíveis porque apesar de precisarmos nos esforçar, não depende de nós, depende da ação do Espírito Santo. É preciso aprender a se submeter, a se lançar e reconhecer o quanto somos pecadores e necessitamos do nosso Salvador para amar.
Em um tempo que ser esposa e ser marido é um problema pacivo de bilhões de discussões sobre papéis, direitos, deveres e funções, é necessário estar disposto a abrir mão das muitas ideias elaboradas por quem não ama a Deus e não vive em sua lei e graça. Bons conselhos vêm de quem escondeu a Palavra de Deus no coração para não pecar contra Ele.
Qualquer pessoa pode se casar, mas poucos podem se sentir satisfeitos no casamento.
Qualquer pessoa pode amar, mas amar no modelo de Deus é um grande desafio.
Qualquer pessoa pode ter filhos, mas criar um filho para ser sal e luz é um serviço sacrificial.
Qualquer pessoa pode fazer sexo, mas fazer sexo para satisfazer o outro é um conceito esquecido, apesar de bíblico.
Qualquer pessoa pode viver na mesma casa com outras pessoas, mas poucos fazem dela um lar.
Casamento é a primeira e mais funcional instituição divina dada ao ser humano, mas a patente pertence a Deus e só a Ele. Ele tem um manual para o bom funcionamento do casamento. Consulte-O e sua Palavra te oreintará a viver plemanente as delícias (e com Cristo são enormes as delícias) do casamento apesar de sermos tão errantes.
Não se esqueça de deletar a soberba da sua vida, e quando tiver problemas no seu casamento procure seu pastor local ou conselheiros designados por ele, até mesmo um casal de sua confiança que tenha experiência em aconselhamento bíblico e PEÇA AJUDA! Não deixe seu casamento acabar por orgulho, por vergonha de expôr seu problema, por medo de fofoca ou por achar que você já sabe tudo. Procure o conselho de um verdadeiro cristão maduro que tenha conhecimento bíblico. Tenha coragem de salvar sua família. Talvez você ouvirá duras palavras, mas certamente elas serão benéficas no final. Não desista! Procure orientação.
Casar é muito bom, acredite!
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